Em rápida pesquisa no dicionário, a palavra leite é definida da seguinte forma: "líquido fisiológico branco, opaco, secretado pelas glândulas mamárias das fêmeas dos mamíferos". Entretanto no Brasil por analogia usa-se o termo leite para qualquer líquido, emulsão ou preparado que tem a aparência do leite, mas será que isso está certo?

 

Segundo a deputada federal Aline Sleutjes, presidente da Comissão de Agricultura, nascida e criada em Castro, capital nacional do leite, filha, neta, sobrinha e irmã de produtores de leite, "é impróprio usar o termo leite para qualquer produto com aparência de  leite''. O que costumamos chamar de leite de soja ou leite de coco, é, na verdade, o extrato vegetal desses alimentos, uma bebida preparada".

 

Inclusive, desde 2017 a União Europeia, por meio do Tribunal de Justiça (TJUE), determinou que os produtos puramente vegetais, como o 'leite de soja' ou a 'manteiga de tofu', não podem ser comercializados com denominações como "leite" ou "manteiga", que estão reservadas aos produtos de origem animal, a questão está regulamentada (Regulamento Europeu 1.308//13).

 

No Brasil, a pedido da ABRALEITE, no ano de 2018 a ministra Tereza Cristina, (época em que era deputada federal), protocolou projeto de lei sob nº 10556/2018, que "Dispõe sobre a utilização da palavra "leite" nas embalagens e rótulos de alimentos", com o objetivo de proibir o uso da palavra "leite" em embalagens e rótulos de alimentos que não tenham como base o leite de origem animal.

 

"A partir do momento em que o projeto for sancionado como lei, não haverá mais competição desarmônica e mentirosa entre produtos de origem vegetal com produtos de origem animal. Nem o consumidor continuará sendo induzido ao erro, ao consumir produtos que não são de origem animal; ou seja, não são leite e nem derivados, mas que estão no mercado identificados de forma errada, sem ter as mesmas características, saberão que se trata de outro tipo de produto", ressaltou o presidente da ABRALEITE - Geraldo Borges.

 


Segundo a presidente da Comissão da Agricultura Aline Sleutjes: "O leite e seus derivados merecem destaque pelo seu valor nutricional, uma vez que são fontes importantíssimas de proteínas de alto valor nutritivo, além de conterem vitaminas e minerais. O consumo desses alimentos é recomendado, devido a necessidade humana de ingestão diária de cálcio, um nutriente fundamental para a formação e a manutenção da estrutura óssea do organismo."

 

Segundo matéria publicada pela CNA, disponível no site da instituição, o leite de vaca é um alimento de origem animal que apresenta proteína de alto valor biológico, que é mais facilmente absorvida pelo organismo. Em sua composição estão presentes nutrientes importantes como cálcio, fósforo e vitamina A, sendo o cálcio um mineral essencial para o crescimento e desenvolvimento da nossa estrutura óssea e para a prevenção de doenças como a osteoporose. Também apresenta benefícios para a memória, equilíbrio da pressão arterial, hidratação e fortalecimento do sistema imunológico.

 

O uso indiscriminado da palavra leite, cria uma concorrência entre os produtos de origem vegetal com os de origem animal e induz o consumidor a acreditar que estão ingerindo alimento semelhante ao leite de mamíferos, com nível similar de cálcio e demais nutrientes, quando, na verdade, trata-se de extratos, bebidas, sucos que não possuem o mesmo caráter nutricional do leite e dos seus derivados.

 

"Recentemente fui questionada por veganos, pelo meu posicionamento e criticada sem qualquer embasamento científico, me indagaram como seria denominado então o leite de coco  e o leite de soja por exemplo? A resposta é simples: extrato de coco e bebida de soja" disse a presidente da Comissão de Agricultura.

 

De acordo com a parlamentar esta tendência vem crescendo na Europa e Estados Unidos. A maioria são consumidores jovens que acreditam que a produção de leite gera problemas ambientais e sacrifica os animais. Outros, por acreditarem que os produtos vegetais são mais saudáveis.

 

Aline Sleutjes entende que é necessário agir no sentido de mostrar ao consumidor os cuidados que os produtores têm com os animais e mostrar que o impacto ambiental ao produzir leite nos trópicos é muito menor do que as estatísticas divulgadas e geradas nos países de clima temperado. Também é preciso mostrar que estes produtos que imitam o leite são ultraprocessados, usam sabores artificiais e não são naturais. Não se trata de ser contra aqueles que adotam uma dieta vegana, mas de sermos claros e verdadeiros, não induzindo o consumidor ao erro.

 

"Produtos artificiais, portanto, não são saudáveis como o leite e não podem ser vistos como seus substitutos. Temos visto verdadeiros absurdos, produtos que se dizem 'tipo manteiga', mas são feitos à base de palma. Produtos à base de soja, que são apresentados como requeijão. Se não bastasse, requeijão com sabor tipo provolone, gorgonzola e cheddar. Isso é uma fraude que deve ser corrigida usando a correta denominação desses alimentos que são tudo, menos leite", finalizou a Vice Líder do Governo no Congresso Nacional, Aline Sleutjes.