ARTIGO Setembro Amarelo um chamado à vida e à responsabilidade coletiva
O mês de setembro, marcado pela campanha Setembro Amarelo, nos convida a uma reflexão profunda sobre a vida, o sofrimento humano e a responsabilidade que temos, como sociedade, de oferecer acolhimento e caminhos de esperança. O suicídio, infelizmente, ainda é cercado por tabus e silêncios, mas precisa ser enfrentado com coragem, informação e empatia.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. No Brasil, estima-se que uma vida seja perdida a cada 46 minutos. São números alarmantes, mas que ainda não revelam a dor silenciosa de milhares de famílias, amigos e comunidades atingidos por essas perdas.
É fundamental compreender que o suicídio não é um ato de fraqueza ou de escolha simples, mas um desfecho trágico, muitas vezes ligado a transtornos mentais, depressão, ansiedade, dependência química ou a contextos de violência, discriminação e abandono. O combate a esse problema exige uma abordagem multidisciplinar que envolva saúde, educação, assistência social e, sobretudo, políticas públicas consistentes.
O Brasil avançou com a criação da Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio, que busca integrar esforços entre União, estados e municípios. Entretanto, ainda enfrentamos desafios na efetiva implementação de programas de apoio psicológico na rede pública, no fortalecimento do SUS e na formação de profissionais preparados para lidar com a prevenção.
No campo jurídico, o tema também demanda atenção. A proteção da dignidade da pessoa humana, princípio essencial da Constituição, impõe ao Estado o dever de garantir condições mínimas para que cada cidadão viva com dignidade, incluindo acesso a tratamento de saúde mental. Não se trata apenas de combater estatísticas, mas de assegurar direitos fundamentais.
O Setembro Amarelo deve ir além das campanhas de conscientização. Ele deve ser um chamado permanente à escuta, ao cuidado e ao compromisso coletivo com a vida. Precisamos cultivar uma cultura em que pedir ajuda não seja sinal de fraqueza, mas de coragem; em que ouvir o outro seja um gesto cotidiano; e em que o Estado cumpra seu papel de assegurar políticas públicas de prevenção e acolhimento.
Falar sobre suicídio é romper o silêncio que tantas vezes mata. Mais do que uma cor no calendário, setembro precisa ser um ponto de partida para que cada um de nós, em sua esfera de atuação, reafirme o valor inegociável da vida.
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| Renato Rocha, advogado |
Renato Rocha, advogado e fundador do projeto Justiça Para Todos


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