Neurocirurgião alerta que insônia aumenta o risco de AVC
Especialista alerta que dormir pouco pode favorecer o surgimento de doenças cerebrovasculares
Dormir mal pode trazer consequências que vão além do cansaço e da dificuldade de concentração. Um estudo publicado na revista Neurology indica que problemas como insônia, ronco e apneia do sono estão associados a um aumento expressivo no risco de acidente vascular cerebral (AVC), podendo elevar em até cinco vezes as chances de um derrame em pessoas que apresentam múltiplos distúrbios relacionados ao sono.
O neurocirurgião Victor Hugo Espíndola explica que a qualidade do sono desempenha um papel fundamental na manutenção da saúde neurológica e cardiovascular. “O sono é um dos principais reguladores da pressão arterial e do metabolismo, quando há essa baixa qualidade no sono, o corpo perde a capacidade natural de equilibrar esses fatores, o que aumenta o risco de AVC”, afirma.
A pesquisa analisou informações de mais de 4.500 participantes e constatou que tanto dormir pouco quanto dormir em excesso pode prejudicar a saúde cerebral. Pessoas que descansavam menos de cinco horas por noite apresentavam um risco três vezes maior de sofrer um AVC, enquanto aquelas que dormiam mais de nove horas tinham o dobro de chances de desenvolver o problema. O levantamento também mostrou que a apneia do sono pode triplicar o risco de derrame, já que interfere na oxigenação do cérebro e nos mecanismos de coagulação sanguínea.
Segundo o especialista, adotar hábitos saudáveis é essencial para prevenir complicações neurológicas. “Manter uma rotina de sono regular, evitar consumo excessivo de cafeína e álcool antes de dormir e buscar tratamento para distúrbios do sono é o principal para a saúde neurológica”, orienta.
Entre as medidas recomendadas para melhorar a qualidade do descanso estão estabelecer horários fixos para dormir e acordar, além de garantir um ambiente adequado para o sono. “Se a pessoa ronca muito, sente sonolência excessiva durante o dia ou tem dificuldade crônica para dormir, é fundamental buscar um especialista. O sono não tratado pode ser um fator silencioso para doenças graves, como o AVC”, ressalta.
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