Esposa de Dr. Vicenzo também aparece em registros do Auxílio; documento indica compra de arma no período
Auxílio Emergencial, esposa beneficiária e compra de pistola: caso Dr. Vicenzo amplia cobrança por explicações

Após a divulgação de registros que apontam que Marco Antonio de Vicente Junior, conhecido como Dr. Vicenzo, recebeu parcelas do Auxílio Emergencial durante a pandemia, novos documentos apresentados à reportagem indicam que sua esposa, a jornalista e influenciadora digital Shaiany Princes Paes de Vicente, conhecida nas redes sociais como Shae Paes, também teria recebido valores do benefício federal.
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De acordo com informações, Shae Paes aparece em consulta pública do Portal da Transparência como beneficiária do Auxílio Emergencial, com pagamentos registrados entre maio de 2020 e outubro de 2021. As informações mostram parcelas de R$ 600, R$ 300 e, posteriormente, R$ 250, vinculadas ao nome da jornalista.
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O caso amplia os questionamentos em torno da família de Dr. Vicenzo, que já havia aparecido em registros com oito parcelas do benefício. O auxílio foi criado pelo governo federal para atender trabalhadores informais, desempregados, microempreendedores individuais e pessoas em situação de vulnerabilidade durante a crise sanitária provocada pela Covid-19.
Outro documento que o portal teve acesso chama atenção: um registro indica que, em setembro de 2021, Marco Antonio de Vicente Junior teria adquirido uma arma de fogo, uma pistola calibre 9 mm. A informação aparece em documento com dados de registro do armamento que tivemos acesso.
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A sequência de registros levanta dúvidas sobre a situação econômica do casal no período em que ambos aparecem como beneficiários do programa social. Segundo as informações apresentadas, enquanto recebiam valores do Auxílio Emergencial, Dr. Vicenzo também mantinha atuação profissional como advogado, jornalista, Procurador de Justiça do TJDDF e servidor da Câmara Federal.
O governo federal, à época, passou a cobrar a devolução de valores pagos indevidamente a beneficiários que não se enquadravam nas regras do programa. Entre os grupos citados em ações de fiscalização estavam servidores públicos, militares, aposentados, beneficiários do INSS e outras pessoas que teriam informado dados incompatíveis com os critérios exigidos.
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Em vídeo no instagram, ele debochou da divulgação do caso e afirmou que pretende fazer um pronunciamento oficial. “É sério isso? Eu tô morrendo de rir dessa matéria. (...) Olha o que pegaram para me bater. O máximo que eles têm para falar contra mim é isso”, disse.
Na fala, Dr. Vicenzo também ironizou a acusação e classificou o episódio como um “absurdo” em tom sarcástico. “Eu vou fazer um pronunciamento oficial sobre este absurdo que eu cometi. Que absurdo! Como que eu pude fazer isso?”, declarou.
A reação, porém, não encerra os questionamentos. Para críticos, o ponto central não é apenas o recebimento do benefício em si, mas a coerência entre a imagem pública construída por Dr. Vicenzo — frequentemente associada a cobranças de moralidade, fiscalização e conduta ética — e os registros que indicam que ele e sua esposa receberam valores de um programa social criado para atender pessoas em situação de vulnerabilidade durante a pandemia.
Ainda assim, a sequência de fatos levantou questionamentos éticos. Para críticos, o episódio contrasta com a imagem pública de Dr. Vicenzo, frequentemente associado a discursos de cobrança moral, fiscalização e rigor contra terceiros.
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Moradores do Distrito Federal ouvidos em caráter opinativo poderiam resumir a indignação da seguinte forma. “Quem se apresenta como paladino da moralidade precisa ser o primeiro a dar exemplo. Receber benefício social, ver a esposa também receber e, no mesmo período, aparecer documento de compra de uma pistola é algo que exige explicação pública”, comentou Gabriela Lemos.
Aline Araújo, moradora do Riacho Fundo, disse que o caso não se resume apenas à legalidade:“A ética não aparece só nos grandes discursos. Ela começa nos pequenos atos, nas escolhas do dia a dia e na coerência entre aquilo que a pessoa cobra dos outros e aquilo que faz na própria vida.”
Rainne Figueiredo falou da contradição entre discurso e prática.“Quando uma pessoa constrói imagem pública de fiscal da moral alheia, qualquer suspeita sobre recebimento de benefício social precisa ser esclarecida com transparência. O problema é a diferença entre o discurso duro contra os outros e a própria conduta”, finalizou Rainne.
O governo federal já informou, em diferentes ocasiões, que cobra a devolução de valores pagos indevidamente no Auxílio Emergencial. À época, entraram no radar servidores públicos, militares, aposentados, beneficiários de outros programas incompatíveis e pessoas que teriam prestado informações divergentes no cadastro.
No caso de Dr. Vicenzo e de sua esposa, os documentos apresentados indicam o recebimento de parcelas do benefício e a existência de registro de compra de arma de fogo por ele.
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